Doença arterial · Publicado em 8 de julho de 2026 · Equipe Angioclínica
A doença arterial periférica (DAP) acontece quando placas de gordura reduzem o calibre das artérias que levam sangue às pernas. Com menos fluxo, o músculo recebe menos oxigênio e dói justamente quando mais precisa dele: durante o esforço.
A claudicação intermitente
O padrão é característico e vale a pena reconhecer: a dor surge após caminhar uma certa distância, sempre parecida; obriga a parar; melhora em poucos minutos de repouso; e volta ao retomar a caminhada, em distância semelhante. Costuma ser sentida na panturrilha, mas pode acometer coxa ou nádega, dependendo de onde está a obstrução.
Conforme a doença progride, a distância percorrida sem dor diminui. Em casos avançados, a dor aparece em repouso — sobretudo à noite, com a perna na horizontal — e alivia ao pendurar a perna para fora da cama.
Outros sinais de circulação arterial reduzida
- Pés frios, pálidos ao elevar e avermelhados ao pender
- Pele fina e brilhante, com perda de pelos na perna
- Unhas frágeis e de crescimento lento
- Feridas nos dedos, no calcanhar ou entre os dedos que demoram a fechar
- Pulsos fracos ou ausentes no pé e no tornozelo
A presença de ferida que não cicatriza ou dor em repouso caracteriza isquemia crítica: nessa situação, a avaliação é urgente pelo risco ao membro.
Quem deve investigar mesmo sem sintomas
Boa parte dos portadores de DAP não tem a dor clássica, seja por levar uma vida menos ativa, seja porque a neuropatia diabética reduz a percepção de dor. A investigação é recomendada em pessoas com:
- Diabetes, sobretudo com mais de dez anos de doença
- Tabagismo atual ou passado
- Hipertensão e colesterol elevado
- Doença coronariana ou histórico de AVC
- Mais de 65 anos, ou mais de 50 anos com outros fatores de risco
Como é feito o diagnóstico
O exame físico com palpação dos pulsos é o ponto de partida. O índice tornozelo-braço compara a pressão no tornozelo com a do braço e dá uma medida objetiva do comprometimento. O Doppler colorido arterial mostra onde estão as obstruções e qual a sua gravidade, orientando a conduta. Em casos selecionados, angiotomografia ou arteriografia complementam o estudo antes de um procedimento.
O que o tratamento envolve
O tratamento tem duas frentes que caminham juntas. A primeira é reduzir o risco cardiovascular global: parar de fumar, controlar diabetes, pressão e colesterol, e usar as medicações prescritas. Quem tem DAP tem risco aumentado de infarto e AVC — tratar a perna sem tratar o conjunto deixa o principal de fora.
A segunda frente é melhorar o fluxo para a perna. O treinamento de caminhada supervisionado tem eficácia comprovada em aumentar a distância percorrida sem dor. Quando há limitação importante da qualidade de vida, dor em repouso ou ferida isquêmica, entram as opções de revascularização: angioplastia com stent ou bypass, escolhidas conforme o local e a extensão da obstrução.
Este conteúdo não substitui a consulta
As informações acima têm caráter educativo. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual com um médico especialista. Se você tem sintomas ou fatores de risco, agende uma consulta na Angioclínica.


